Em uma pequena ilha do mar Egeu, na Grécia, próximo ao litoral da Ásia Menor - a ilha de Kós - floresceu no século V a.C. uma escola médica destinada a mudar os rumos da medicina, sob a inspiração de Hipócrates, digno precursor da Ética Médica.

Seu juramento norteou a medicina com preceitos válidos até hoje, dignificando a profissão e estabelecendo as normas éticas de conduta que devem nortear a vida do médico, tanto no exercício profissional, como fora dele.

Em 1803, surge o 1º código de ética médica, com o médico inglês Thomas Percival, adotado pela A.M.A., em 1847.

A ética médica tem dois séculos de nome e mais de dois milênios de existência.

Com o avanço da tecnologia, em particular da biologia molecular e, em conseqüência, da biotecnologia, reflexões de ordem moral, teológica e de outras naturezas surgiram, sensibilizando o cancerologista e humanista americano Potter, em 1970, criando a bioética.

A bioética tem como princípios fundamentais: A Beneficência (fazer o bem), A Não Maleficência (não causar danos) e A Autonomia.

Bioética (Aurélio): "estudo dos problemas éticos suscitados pelas pesquisas biológicas e pelas suas aplicações por pesquisadores, médicos, etc.".

A bioética, por extensão, abrange os dilemas de avanços das ciências da vida, da saúde e do meio ambiente, atingindo pontos polêmicos, como o aborto, a eutanásia, a clonagem e, principalmente, as importantes pesquisas com células-tronco.

Eutanásia - ato cometido ou omitido com o propósito de causar ou acelerar a morte de um ser humano após o seu nascimento, com a ressalva de eliminar o sofrimento de alguém.

Trata-se de um assassinato dito piedoso ("boa morte"). Também denominado de "assassinato por misericórdia".

A eutanásia pode ser ativa (positiva ou direta) ou passiva (negativa ou indireta).

A ativa é praticada com a finalidade de causar ou acelerar a morte, com a aplicação de injeções letais ou overdoses, por um profissional de saúde ou pelo próprio paciente (suicídio assistido).

Na passiva, a ação criminosa consiste na suspensão ou retirada de medidas não heróicas, inclusive alimento, hidratação e oxigenação.

Eutanásia passiva: Negação de alimentos, hidratação e oxigenação para recém-nascidos deficientes, que de outra forma teriam vivido (infanticídios) e para pacientes no chamado "estado vegetativo persistente" (EVP).

Mesmo nos casos que antecedem à morte natural e inevitável, o alimento, a água e a oxigenação têm de ser fornecidos, tratando-se de direito de todos os seres animais, inclusive, até mesmo dos irracionais.

Pesquisadores médicos têm realizado numerosos estudos para determinar quantas pessoas no denominado "coma irreversíveis", de fato, voltaram desse estado.

Um estudo de 84 pessoas em "estado vegetativo persistente" mostrou que 41% recuperaram a consciência dentro de seis meses, e 58% recuperaram a consciência dentro de três anos.

Um segundo estudo de 26 crianças em coma, o qual durava mais de doze anos, constatou que três quartos eventualmente recuperaram a consciência.

Um outro estudo constatou que um terço dos 370 pacientes em "estado vegetativo persistente", por até um ano, teve recuperação suficiente para voltar a trabalhar.

Num caso dramático, os médicos atestaram a "morte cerebral comatosa" de um vovô de 79 anos de idade, Harold Cybulski, de Barry's Bay, Ontário.

Estavam prontos para desligar os sistemas que o mantinham vivo, enquanto a família dava seu último "adeus".  Mas, quando o seu neto de dois anos de idade correu para dentro do quarto e gritou "Vovô!", Cybulski acordou, sentou-se e pegou o pequeno neto no colo!

Seis meses depois, estava levando uma vida completamente normal, inclusive dirigindo o novo carro que planejara comprar antes de ter entrado em coma.

Os médicos de Cybulski não conseguiram dar "nenhuma explicação" pela sua recuperação instantânea.

Eutanásia voluntária é praticada com a cooperação voluntária do interessado.

Eutanásia involuntária é cometida sem o conhecimento ou consentimento do paciente.